“Transmissão ao vivo??? Vai sobrar para mim...”

Fonte: Arquivo Pessoal

Por Gabriela Safe, Brasília

Hoje eu participei da primeira live da minha vida. Com alguma resistência. Confesso que não me sinto muito confortável na frente das câmeras, além de ter críticas ferrenhas quanto à forma que (nós, a sociedade pós-moderna) usamos nossas redes sociais e à forma como nos relacionamos com a tecnologia de maneira geral.

Já há algum tempo no Afroricas, vínhamos discutindo sobre como nos aproximar do público e aumentar o engajamento em nossas redes sociais. E surgiu a ideia de fazer uma live. Logo pensei "Transmissão ao vivo? Vai sobrar para mim..." Pensado e feito. Como a responsável final pelo Afroricas, não havia escapatória. Eu precisava ser a primeira da equipe a conduzir a nossa primeira live.

Então, com um nervosismo e uma preparação prévia de horas, enfrentei o desafio de conduzir uma conversa ao vivo com pessoas reais e interativas. "Pus a cara no sol" e não me arrependo!

O medo de como o público receberia a mensagem, a ansiedade de estar ao vivo e passar vergonha, a incerteza da participação dos seguidores do projeto, a insegurança da internet funcionar, tudo isso e meus outros incômodos deixaram de me aborrecer quando comecei a falar sobre o Afroricas.

Falar desse projeto - que é como um filho para mim - é fácil, fluido, natural, transcendental. E independente da quantidade de pessoas que participou e pôde colher algo de positivo das ideias apresentadas, eu estou grata e orgulhosa de mim mesma.

Grata porque a psicóloga Adriana Roque (convidada especial da live) foi super acolhedora e parceira, além de compartilhar perspectivas que para mim eram inusitadas e geraram uma reflexão real sobre os espaços, que para nós população negra, são completamente novos.

Sou grata também às pessoas que deram um pouco do seu precioso tempo para ouvir nossas palavras e apoiar nossa primeira live.

Orgulhosa porque enfrentei meus incômodos e saí da minha zona de conforto, o que me possibilitou ter uma experiência nova, descontraída e cheia de aprendizados.

Orgulhosa também da minha equipe e do que temos construído nesses meses de trabalho árduo.

Essa experiência me fez rememorar todas as vezes que eu saí da minha zona de conforto e me fez pensar que desenvolvimento é se arriscar a realizar coisas sem a certeza de que você vai ganhar a aposta. E no mercado de trabalho somos constantemente convidadas a nos arriscar. Alguns riscos valem a pena, já outros não tanto. Só saberemos se a aposta realmente valeu se a fizermos e esperarmos pelo resultado.

Finalizo esse texto com um convite: que tal se aventurar a fazer algo que te causa certo temor buscando superar seus limites e aprender algo novo?

Sobre a autora


Gabriella Safe é sociólogia e fundadora do Afroricas. Antes de criar o projeto, ela trabalhou em escolas públicas, organizações não-governamentais e empresas de capacitação em desenvolvimento de pessoas. Com atuação em coletivos, movimentos sociais e projetos educacionais dentro e fora do Brasil, hoje Gabriella se dedica à produção de conteúdo educativo, além de gerir todos os recursos necessários para tirar o Afroricas do papel.