Do Uruguai ao Brasil: minha transição em 953 palavras.

Fonte: Arquivo Pessoal

Por Karla Garcia, Mato Grosso do Sul 

First things first.

2018 tem sido um ano muito impactante e de muitas transições. Hoje, com quase 2 meses de trabalho numa startup especialista em marketing de conteúdo, eu decidi que queria escrever sobre essa experiência. Então, esse texto, na verdade, é uma introdução para contextualizar a minha rota até me tornar Analista de Comunidade no lugar em que trabalho atualmente.

Bom, voltando às minhas origens: eu sou sul-mato-grossense, nasci em Campo Grande, capital do meu Estado. Mas eu vivi os meus 2 últimos anos em Montevidéu, no Uruguai.

A minha experiência vivendo em Montevidéu foi muito intensa e gratificante, por exemplo, foi quando eu recebi o meu primeiro grande desafio profissional: assumir a diretoria nacional de desenvolvimento de negócios de uma ONG internacional que está presente em mais de 126 países e territórios. Dentre outras coisas, foi também quando eu vivi o meu primeiro relacionamento sério com alguém, minha primeira vez vivendo em uma república universitária (ainda que com 4 anos de formada), meus piores invernos e minhas piores necessidades financeiras e crises psicológicas.

Mas nenhuma experiência te prepara para a morte do que você ama.

E foi assim que a vida me trouxe de volta para o Brasil. Foi uma transição muito rápida e dolorida, eu estava voltando das minhas férias para Montevidéu, em um domingo, e na quarta-feira da mesma semana eu já estava embarcando, definitivamente, para o Brasil. Dos meus 2 anos vivendo por lá, muitas coisas ficaram para trás - materiais e sentimentais. Mas não cabia tudo na mala, nem no coração. 

Mas a verdade é que o meu embarque não foi tão cruel quanto o desembarque no Brasil. Chegando em Campo Grande, ainda no avião, recebi um e-mail do meu chefe com todo o time em cópia, e em partes, dizia:

Gracias a vos por lo que nos has dado. Hemos hecho un montón de cosas gracias a tu trabajo y espero podamos seguir haciéndolo. Sin ir más allá, los perfiles que enviamos cada vez que proponemos a una persona para una empresa son hechos por vos. En un par de horas debes de estar llegando con tu familia. Mucha suerte y que todo salga de la mejor forma posible.

Creio que foi nesse momento que eu comecei a entender o que viria, e ainda, o que eu havia "deixado". Desabei e comecei a chorar, soluçando, antes mesmo de descer do avião. E esse processo doloroso teve duração de uma semana, até eu descobrir que, na verdade, era apenas o começo de uma jornada infinita.

É que nenhuma experiência te prepara para o luto, ou para o vazio que fica, ou para o sentimento de impotência, de revolta.

Meu luto também trouxe uma responsabilidade, que eu ainda não estava pronta para assumir. Quando você perde parte do esteio de uma família, alguém precisa tomar esse papel. E é, essa era eu, e é nesse momento que eu me dei conta de que as minhas decisões já não eram só minhas. Tentei voltar para o Uruguai, não deu certo. Tentei mudar de casa, não deu certo. Tentei mudar de cidade, não deu certo.

Tentei fugir, do meu luto, das minhas responsabilidades e até mesmo de mim: não deu certo.

Foi quando eu me dei conta de que nada mudaria, a menos que eu entendesse a minha situação atual e para qual direção projetar-me. Então eu decidi que o que eu precisava era de um emprego, por mais que eu seguisse trabalhando - remotamente - com uma startup de desenvolvimento de softwares de Montevidéu, naquele momento, era muito importante a interação interpessoal e me apegar em algo que me tirasse de casa. Procurei, procurei e procurei, mas não havia nenhum emprego em Campo Grande que me despertasse interesse.

No final do mês de maio, tive uma conversa séria com a minha família. Acostumados com as minhas idas e vindas, não era muito mistério que eu certamente iria comunicar que me mudaria de cidade ou país. Mas dessa vez, não era como antes, e também, não era só por mim. Eu precisava encontrar a minha essência, o que me movesse e precisava também conciliar isso com o suporte financeiro e psicológico que eu precisava entregar em casa.

E as experiências me ensinaram que a vida é uma jornada.

Eu comecei a buscar vagas em outras cidades que estivessem alinhadas com os meus propósitos e principalmente com a minha realidade. Nesse momento, eu já estava flertando com Belo Horizonte há algum tempo e convencida com a ideia de trabalhar numa comunidade de startups que ficava lá. O cenário era exatamente o que eu buscava, um lugar vivo, empreendedor, tecnológico e inovador, e uma cidade agradável, acolhedora e com um bom custo de vida. Foi quando eu comecei a flertar, também, com uma startup especialista em marketing de conteúdo. O problema é que o meu flerte não foi correspondido, pois nenhuma das vagas me chamavam atenção.

Eu não sei exatamente como aconteceu, ou se eu não prestei atenção anteriormente, mas eu sei que um dia entrei na plataforma e havia uma oportunidade que parecia haver sido desenhada para mim. Só lembro da minha mãe dizendo, antes mesmo de eu me aplicar: "Eles vão te chamar". E bom, aqui estou.

Voltei para a minha jornada, que agora me entrega a experiência de trabalhar em uma das 25 Top Startups do Brasil! E como dizia dona Jura: não é brinquedo não! Mas definitivamente, é a experiência que eu precisava.

E falando em experiências e processo seletivo...

Já deu uma olhada nas vagas em aberto no mercado de startups? Capaz essa também seja a experiência que você precisa na sua jornada :)

Sobre a autora

Karla Garcia é formada em Administração e autodidata no aprendizado de idiomas. Karla já trabalhou em empresas júnior, organizações não governamentais e startups, atuando na área de vendas, parcerias, consultoria de negócios e marketing. Atualmente ela se dedica a negócios de tecnologia e desenvolvimento de mercado para freelancers